quarta-feira, 6 de julho de 2011

O livro de Romanos

AUTOR
Essa carta sem dúvida foi escrita por Paulo, embora ele dispusesse de um amanuense ou escriba que, provavelmente pode ter sido Tércio, citado em 16.22; esse escriba às vezes recebia de Paulo liberdade nas redações, mas não há indícios de que isso tenha acontecido em Romanos.

DATA
Embora a data da escrita da carta dependa da data dos três meses que ele permaneceu na Grécia e da cronologia da vida e ministério de Paulo, podemos afirmar que foi por volta de 57 d.C. no final de sua terceira viagem missionária.

LOCAL DE ORIGEM
Ao escrever Romanos, Paulo estava na Grécia e provavelmente em Corinto, isso se confirma quando ele em 16.1-2 faz uma recomendação de uma mulher que vivia em Cencréia, cidade vizinha de Corinto; há também um homem chamado Gaio que Paulo batizou em Corinto que pode ser o mesmo que manda saudações em 16.23.

DESTINATÁRIOS
Paulo escreve sua carta aos cristãos em Roma, tanto judeus como gentios; ele saúda os cristãos judeus Áquila, Priscila, Andrônico, Júnias e Herodião, fala de assuntos que interessariam aos judeus como, lei mosaica, chama Abraão de nosso pai, o papel de Israel na história da salvação; mas Paulo também fala a um povo gentio, dizendo que foi chamado para ministrar a estes, se dirige diretamente a eles “vós outros, que sois gentios”, pede que seus leitores, cristãos em Roma aceitem-se uns aos outros. Concluímos com isso, que Paulo escreveu a uma comunidade mista tanto de gentios que parecem ter maioria quanto a judeus.

PROPÓSITO
Paulo escreve sobre os motivos que tem para visitar Roma, mas não sobre o motivo  para escrever para Roma; precisamos harmonizar o conteúdo da carta com a ocasião em que foi escrita, pois a motivação de Paulo ao escrever nos levará a conclusões sobre o propósito. Temos duas diferentes opiniões sobre esse assunto, as que se concentram nas circunstancias e necessidades do próprio Paulo como a ocasião para a carta, e os que ressaltam as circunstancias da comunidade cristã em Roma como a ocasião imediata. A primeira opinião nos mostra que se a carta foi escrita quando Paulo estava se preparando para ir a Espanha um dos propósitos de Paulo pode ter sido sua apresentação aos cristãos de Roma com um pedido de patrocínio, mas esse não foi o principal propósito de sua carta aos Romanos, pois em seu discurso ele trata de vários temas, onde expôs seu pensamento amadurecido sobre diversas questões teológicas, no entanto se ele ia a Jerusalém Paulo estava preocupado com o relacionamento entre judeus e gentios e a carta seria um discurso que ele desejava apresentar em Jerusalém quando ali chegasse com a coleta. Na segunda opinião F. C. Baur, século XVIII, acha que Romanos era um escrito polemico contra judeus e gentios, tentando evitar a divisão que se formava na comunidade cristã em Roma.
Nenhuma dessas duas teorias descreve todos os propósitos de Paulo que podemos ver, são muitos, principalmente se considerarmos fatores como: os embates anteriores na Galácia e em Corinto, à crise futura em Jerusalém, a necessidade de conseguir uma base missionária para o trabalho na Espanha, a importância de unificar em torno do Evangelho a comunidade cristã dividida em Roma; nessa carta Paulo expõe seu entendimento sobre a salvação de judeus e gentios, a lei e o evangelho, continuidade e descontinuidade entre o antigo e novo testamento. Fatores que podem ter influenciado Paulo a tratar dessas questões foram a acusação de que sua teologia era contrária à lei e talvez antijudaica.


TEXTO
A carta de Paulo aos romanos continha os 16 capítulos, embora a doxologia pode ser ou não incluída no final do capitulo 16, pois foi omitida em alguns manuscritos, isso nos leva a crer que pode ter sido acrescentada para dar um fecho a uma das recensões da carta na Igreja primitiva, pois uma doxologia para encerramento de uma carta não tem paralelo nas cartas de Paulo, e o estilo da doxologia não é Paulino. No entanto, esses argumentos não concluem nada e preferimos crer que a conclusão do próprio Paulo está em 16.25-27.

ESTUDOS RECENTES
Estudos recentes de romanos tem se concentrado em três questões: a natureza da carta, o propósito, e o tratamento dispensado aos judeus e a lei mosaica. Deve-se considerar o estudo de Romanos no contexto daquilo que tem sido proclamado como a nova perspectiva sobre Paulo, como resultado de uma nova maneira de entender o judaísmo a que Paulo se opunha e contra o qual elaborou grande parte de sua teologia. No passado a maioria dos estudiosos cristãos pressupunha que Paulo estivesse lidando com judeus legalistas, os quais contavam com suas boas obras para entrarem no céu. Mas muitos estudiosos contemporâneos estão convencidos de que o judaísmo do século I não era assim. O argumento de Sanders publicado em 1977, é que o judaísmo que Paulo conheceu não era uma religião em que as obras eram o meio de salvação, mas, acreditavam que eram salvos por sua eleição conjunta como povo da aliança. Se os adversários judeus de Paulo foram nomistas pactuais em vez de legalistas, vêm à tona um quadro diferente do ensino de Paulo sobre questões fundamentais, como justificação e lei. Do principio ao fim, Romanos apresenta ensinos sobre a justificação, os judeus e a lei, esses enfoques revistos de Paulo são evidentes em muitos estudos recentes de Romanos. Essa teoria de Sanders não tem aceitação universal, pois ele excluiu a possibilidade de haver no século I alguns judeus mais legalistas que nomistas.
           
CONTRIBUIÇÃO
Romanos vem ao longo dos séculos oferecendo aos teólogos uma material de primeira qualidade para fazerem seus estudos. Romanos não está tão preso a circunstâncias especificas do século I, é necessário um menor grau de tradução da cultura do século I para a nossa. O elemento mais importante desse contexto é também a questão mais importante que a igreja primitiva teve de enfrentar, a natureza da continuidade entre a primeira e a segunda “palavra” de Deus e entre o povo daquela primeira palavra, Israel, e o povo da segunda palavra, a igreja. Aqui Romanos contribui para a formulação da fé neotestamentária, expressando a relação entre o Antigo e Novo Testamento, lei e evangelho, Israel e a igreja – o grau de continuidade e descontinuidade; isso é o necessário para construir qualquer teologia cristã, tornando Romanos num livro onde temos os tijolos básicos para construir o alicerce dessa teologia.

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