quarta-feira, 4 de maio de 2011

CORRER COM PERSEVERANÇA, A CARREIRA

Correr com perseverança, a carreira

Hebreus 12.1-3
“Portanto, também nós, visto que temos a rodear-nos tão grande nuvem de testemunhas, desembaraçando-nos de todo peso e do pecado que tenazmente nos assedia, corramos, com perseverança, a carreira que nos está proposta. Olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé, Jesus, o qual, em troca da alegria que lhe estava proposta, suportou a cruz, não fazendo caso da ignomínia, e está assentado à destra do trono de Deus. Considerai, pois, atentamente, aquele que suportou tamanha oposição dos pecadores contra si mesmo, para que não vos fatigueis, desmaiando em vossa alma”.

 O autor de Hebreus vem discorrendo sobre a fé e trazendo para nós exemplos extraídos do velho Testamento; através de grandes heróis ele nos mostra aonde uma pessoa que tem fé pode chegar; aqui neste texto que acabamos de ler o autor nos exorta a sermos exemplos de Cristo nos convidando a correr, com perseverança, a carreira que nos está proposta.

         A palavra perseverança vem do latim perseverantia, do hebraico hatmadá e do grego upomonen, também pode ser chamada de pertinácia ou Constancia, e seu significado etimológico é “ato de fortificar a vontade contra os males, “ato de manter-se firme e disposto a continuar seguro”, “permanecer inalterável, seguro, firme, fixo, imutável”.

         Paciência e perseverança têm tudo a ver. Paciência vem do hebraico savlanut e do grepo carteria, significa “resignação na dor”, “capacidade de esperar com calma; de perseverar com ânimo sereno”, “capacidade de suportar ofensas alheias, mesmo tendo condições de revidá-las, ou se defender” e “capacidade de resistir as aflições, com resignação.”

         A perseverança revela os crentes genuínos. A Bíblia diz em Marcos 13.13 “E sereis odiados de todos por causa do meu nome; mas aquele que perseverar até o fim, esse será salvo.”

         A perseverança revela fé genuína. Em Hebreus 3:6 lemos: “Mas Cristo é como Filho sobre a casa de Deus; a qual somos nós, se tão somente conservarmos firmes até o fim a nossa confiança e a glória da esperança.”

         Deus promete vitória aqueles que perseveram, Paulo diz em Filipenses 3.13-14 “Irmãos quanto a mim, não julgo que o haja alcançado; mas uma coisa faço, e é que, esquecendo-me das coisas que atrás ficam, e avançando para as que estão adiante, prossigo para o alvo pelo prêmio da vocação celestial de Deus em Cristo Jesus”. Esse prosseguir do qual Paulo está falando pode também ser chamado de carreira, a qual ele está correndo a fim de alcançar o seu alvo.

E você está correndo com perseverança a carreira que lhe está proposta? O autor deste texto em Hebreus nos convida a perseverar, mas para que a nossa perseverança não seja em vão é necessário que aconteça conosco duas outras coisas que o autor também coloca em destaque, e é sobre estas duas coisas que quero falar nesta noite!


1.         Desembaraçar-se do pecado. Você está desembaraçado? (...) “desembaraçando-nos de todo peso e do pecado que tenazmente nos assedia” (...)

Parece fácil dizer que estamos de fato desembaraçados, mas essa conquista nos custará muitos esforços, uma vez que o pecado está dia a dia nos assediando, não é isto que nos diz o texto?
Ao vermos o exemplo de Cristo em meio às tentações em Mateus 4, em meio às provações que enfrentou durante seu ministério aqui na terra, as acusações dos seus inimigos nós podemos nos sentir fortalecidos para vencer como Ele venceu.
Desembaraçar-se do pecado não é uma tarefa fácil, mas é uma tarefa possível. Podemos questionar se Jesus venceu o pecado porque era Deus, mas podemos também ver que Jesus se cuidava.
 Em sua vida como humano Jesus nunca deixou de orar, nunca deixou de jejuar, obedecer e vigiar. Ele perseverou até o fim sabendo “da alegria que lhe estava proposta”, suportou a oposição dos pecadores, a dor da cruz e mesmo assim Ele jamais pecou.
Para nós isso é impossível, até porque já nascemos com o pecado que herdamos de Adão, mas é possível nos desembaraçarmos do pecado, porque Jesus, de quem herdamos a salvação, já nos libertou pagando um alto preço por cada um de nós.
Isso não quer dizer que estamos liberados de vigiar, de perseverar, mas que temos um advogado que cuida da nossa causa e intercede por nós junto ao pai.
O fato de termos um advogado também não nos dispensa de vigiar a nossa vida, guardando a nossa alma e cuidando da saúde dela.
Precisamos ser zelosos cuidando da nossa alimentação espiritual, pois se comemos pouco e sem qualidade somos fracos, mas se comemos mais e com qualidade somos fortes; fortes o suficiente para nos desembaraçarmos do “pecado que nos assedia”.
Comida para nós é Bíblia, oração, culto, evangelismo, discipulado, bons amigos; comida para o crente é agradar a Deus e o crente zeloso de sua alma está absorvido por uma só coisa: agradar a Deus; o coração do crente zeloso está obstinado e arde por uma só coisa: agradar a Deus; uma pessoa assim sempre acha oportunidade de livrar-se do pecado, fugir da aparência do mal, vencer o inimigo e resumindo: desembaraçar-se do pecado, pois ele escolheu a coisa principal: agradar a Deus, conhecendo-lhe profundamente.
Desembaraçar-se do pecado é ir para onde o espírito deseja e não para onde a carne deseja. Quando o crente busca a Deus entregando-se inteiramente a ele e comendo os alimentos corretos, ele vai bem mais longe, pois está forte, já adquiriu resistência.
O crente precisa se desembaraçar das coisas que atrapalham a sua vida espiritual, das más companhias, dos preguinhos que ainda estão fixados na sua vida, as coisinhas pequenininhas que pensamos que “não tem nada ver, isso é normal”, como diz aquela canção “tem nada a ver, isso é normal, êta coisinha que faz crente se dar mal”.
O crente necessita fugir das oportunidades que lhe são oferecidas para retroceder. Uma coisa que nós temos certeza é de que qualquer dia ou qualquer hora seremos tentados a pecar, ou pelo diabo ou pela nossa própria carne.
Será que devemos ou não evitar situações, lugares ou conversas que aumentem essas tentações? Com certeza! Há pessoas que se arriscam de mais, são imprudentes e quando caem ainda culpam o diabo. A natureza do diabo é má e não podemos esperar dele coisas boas; mas a nossa carne também é fraca e tendenciosa a pecar.
E eu pergunto mais: será que somos fortes o suficiente para nos arriscarmos tanto, será se podemos entrar em qualquer lugar sem sentirmos o desejo de pecar ou até mesmo julgar quem lá está? Será que podemos sentar com alguém que está falando mal da vida alheia e também não falarmos, ou sermos cúmplices de sua fala? Será se somos capazes de falar do amor de Cristo a um pecador ignorante e incrédulo sem nos chatearmos durante a conversa?
Há algumas “coisinhas” que nós achamos que não nos atrapalham, mas são justamente estas coisinhas que impedem a nossa intimidade com Deus, às vezes a gente se preocupa apenas com coisas grandes, achando que as pequenas coisas não têm nada a ver.
Crente faça um auto-exame da sua vida, das pequenas coisas, arranque os preguinhos, livre-se das coisinhas “tem nada a ver, isso é normal”. Deixe o Espírito Santo trabalhar em sua vida, entregue-se totalmente, sem reservas, busque uma intimidade mais forte com o Papai do céu e você vai ver os embaraços serem quebrados em nome de Jesus.


                                                                                                 
2.         Olhar firme para Jesus. Para onde você está olhando? (...) “Olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé, Jesus” (...)
Certo homem estava desempregado e passando muitas dificuldades, até que resolveu por si mesmo sair para a zona rural a fim de plantar alguma coisa que pudesse comer. Chegando lá isso não foi possível, pois estava tudo seco e não havia nem promessa de chuva. Sentou-se a beira da estrada, triste, cansado e sem esperanças; já no fim do dia um Senhor muito rico passou por ali e vendo aquele homem tão cabisbaixo parou perguntando o que havia acontecido.
Ao ouvir sua história, ficou compadecido e disse: - amanhã voltarei de minha viagem e quero que trabalhe comigo como meu auxiliar, pois faço grandes negócios e muitas viagens. Pagarei a você um bom salário e de nada você terá falta; espere-me na estrada do outro lado, não sei a que horas volto, fique um pouco afastado, pois por aqui passam muitas pessoas más, quando vir-me passar grite e levarei você comigo.
Dizendo isso, deu-lhe mantimento para aquela noite e ausentou-se dele. No outro dia o homem levantou-se e ficou próximo à estrada do outro lado, sentou e ficou olhando, contudo não sabendo a que horas, nem em que ponto exato o Senhor iria passar, ficou distraído e não olhou firmemente para as pessoas que voltavam. Cada pessoa que passava tirava um pouco da sua atenção, levando-o a olhar não apenas para quem voltava, mas também para quem ia. O dia passou-se depressa e o homem desesperado começou a chorar. Aquele Senhor não voltara.
O texto nos diz “Olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé, Jesus” e no último verso “Considerai, pois, atentamente, aquele que suportou tamanha oposição dos pecadores contra si mesmo, para que não vos fatigueis, desmaiando em vossa alma”.
O texto chama nossa atenção para o exemplo deixado por aquele que foi tão maltratado aqui na terra. Jesus passou muitas humilhações, foi rejeitado até mesmo pelos seus, mesmo assim ele nunca ficou irado por causa disso, mesmo assim ele nunca deixou seu propósito, afinal de contas ele veio aqui para isso.
Ah, mas Jesus era Deus, ele não podia pecar, ele sofreu, mas sabia que depois da morte ressuscitaria e voltaria para o céu! Era só cumprir o seu propósito, não ia demorar muito e novamente voltar ao céu e sentar-se glorioso à direita de Deus.
Bom, é verdade, graças a Deus por isto, pois só assim fomos salvos do nosso pecado e da perdição, mas nesse momento eu quero fazer uma comparação entre nós e Jesus, sobre o propósito dele e o nosso: nós, apesar de sermos pecadores já fomos libertos do pecado, Jesus pagou o preço que nunca conseguiríamos pagar, prometeu que depois vai voltar, trazendo ressurreição e nos levando ao céu para morar para sempre com ele, nós também temos um propósito, que é agradá-lo e ensinar outros a agradá-lo, pregar o evangelho, levando salvação às almas perdidas; nossa vida aqui também não é longa, se temos menos de 33 anos, a idade de Jesus quando foi morto, quem nos garante que vamos viver mais que isso? O amanhã não nos pertence.
Então porque não fazemos como Jesus? Sejamos humildes, sirvamos aos outros, amemos os nossos inimigos, soframos, soframos! É isso mesmo, para ser humilde, servir aos outros, amar os nossos inimigos às vezes a gente tem que sofrer, levar desaforo para casa, se sentir no chão.
É, hoje quase ninguém quer se sentir assim, humilhado, rejeitado, afinal de contas, ser tratado com educação é direito de cada um, ter as nossas escolhas respeitadas é um direito meu. Se alguém interfere na nossa vida, nós viramos a cara e achamos ruim. Se alguém nos exorta por alguma coisa, dizemos que ela não tem nada a ver com a nossa vida.
Jesus sofreu e mesmo assim nunca saiu por aí dando más respostas, foi maltratado e mesmo assim nunca deixou de amar as pessoas, ele não amava o pecado delas, mas nem por isso ele as desrespeitava. Jesus não deixou de perseverar, orava sempre, jejuava, lia as Escrituras, ensinava as pessoas, estava sempre alimentando a intimidade que tinha com o Pai. Ele não perdia uma oportunidade de falar das boas novas de salvação, do seu amor pelas almas perdidas e do perdão dos pecados. Jesus, apesar de ser Divino se fortalecia a cada dia, a fim de suportar a oposição dos pecadores e o sofrimento que viria.
Se nós sabemos que a tentação virá porque também não nos preparamos, não nos fortalecemos?
Se fizermos isso, se seguirmos o exemplo de Cristo Jesus, estaremos fortalecidos e não nos fatigaremos e jamais desmaiaremos em nossa alma, pelo contrário ela estará forte e preparada para a batalha.
Para perseverarmos até o fim, correndo a carreira que nos está proposta é necessário preparo, força, resistência, ou ficaremos rodando, enfraquecidos, tontos e não sairemos do lugar.

Conclusão:

O que aconteceu com aquele homem poderá acontecer conosco se não olharmos firmemente para Jesus, Autor e Consumador da nossa fé. Isso implica em vigiar em todo o tempo, não somente na igreja aos domingos, mas todos os dias, todas as horas, minutos, segundos e porque não dizer cronógrafos, já que não temos idéia do dia, nem da hora em que ele virá?
Se passarmos nosso tempo olhando para outras coisas, perdendo o nosso tempo com outros objetivos, que não seja correr a carreira que nos está proposta, estaremos sujeitos a ficar como aquele homem sentado à beira da estrada, distraídos com este mundo e quando o nosso Senhor voltar, não nos daremos conta e ficaremos para trás.
Na verdade aquele Senhor de negócios voltou. Ele esperava que o homem o gritasse, mas este estava tão distraído observando outras pessoas que não o viu. Ele não foi perseverante o suficiente para esperar uma coisa que era certa e que garantiria de vez o seu futuro. Ficou envolvido com coisas que duraria apenas um momento.
Quantas vezes também nós estamos nos envolvendo com coisas que duram apenas um momento, enquanto poderíamos estar olhando firmemente para Jesus, vigiando dia e noite, orando e perseverando certos de que ele virá e nos levará com ele para um lugar em que estaremos sempre ao seu lado e de nada teremos falta.
Que você possa reler o texto de Hebreus 12.1-3 e também ler o capítulo 11, pois essa “nuvem de testemunhas” refere-se àqueles mencionados neste capítulo. Quando entendemos o que eles sofreram, iremos também querer ser mais fiéis ao bendito Senhor em nossa vida.
E então seremos felizes ao ver que tudo isso trará glória e gozo a ele. Iremos querer tirar de nossa vida tudo o peso que nos atrapalharia o avanço, e o pecado que nos pararia.
         Jesus Cristo foi o único homem de fé perfeito, e por isso precisamos ter os olhos fixos nele. Que ele mesmo nos ajude a desembaraçar-nos do pecado, olhando firmemente para ele, que é o autor e consumador da fé, observando o seu exemplo e seguindo-o, buscando uma intimidade maior com o Pai e correndo com perseverança a carreira que nos está proposta. Que Deus o abençoe em nome de Jesus. Amém.
                                                                                  Conceição de Sousa

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